Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Jornadas Mundiais da Juventude: Catequeses 2 e 3 Comentadas

Dando sequência ao desafio aqui assumido no mês passado, a equipa de formação apresenta algumas sugestões para as catequeses 2 e 3 das Jornadas Mundiais da Juventude, recentemente disponibilizadas aqui.
Em relação à segunda catequese, subordinada ao tema JMJ e a Palavra de Deus, sugerimos que o primeiro encontro possa, de alguma forma, tomar como fio condutor a oposição ouvir/ler para que D. Anacleto Oliveira nos alerta na introdução, partindo da passagem do Evangelho de S. Lucas: "Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir" e finalizando o seu texto com uma daptação "Queira Deus que após essa leitura, também cada um de nós possa dizer: Cumpriu-se hoje mesmo a palavra da Escritura que acabo de ler".

Assim sendo, na Experiência Humana do 1º Encontro, sugerimos o recurso a uma dinâmica de grupo que facilite a compreensão, pelos jovens, da ambiguidade da mensagem transmitida e das diversas interpretações que uma mesma palavra pode ter para diferentes pessoas.
Preparar previamente uma imagem (qualquer uma, mas de preferência que tenha por base elementos geométricos - por exemplo, um palhaço cuja cara seja um círculo, o chapéu um triângulo, o corpo um rectângulo - ... com mais ou menos pormenores) que se apresenta a um dos elementos do grupo. Aos restantes elementos deve-se providenciar folhas e lápis. Explica-se então a tarefa: o elemento do grupo que tem o desenho deve dar orientações verbais aos restantes elementos de forma a que estes o possam reproduzir, o mais fielmente possível na própria folha. Não pode haver lugar a perguntas.
No final, apenas o animador e o elemento que "ditou" o desenho podem olhar para os resultados. Entretanto, explora-se com os elementos do grupo como acham que correu, as dificuldades que sentiram, etc.
Posteriormente, repete-se a dinâmica, mas dando oportunidade aos elementos do grupo de questionarem o que está a dar as orientações.
No final, este segundo desenho será mais aproximado do original do que o que terá acontecido na primeira vez.
Explorar com os jovens que isso está relacionado com a nossa capacidade de aprendizagem, mas também com a possibilidade que foi dada de melhor entender a mensagem transmitida. Referir também a importância dos esclarecimentos serem pedidos em grande grupo pois assim a dúvida de um ajudou todos a terminarem a tarefa da melhor forma.
Está assim preparado o terreno para passar para o momento da Palavra de Deus que pretende reforçar que "muitos cristãos estão acostumados a receber a Palavra de Deus de forma passiva: escutam sem questionar-se, à espera que alguém «lhes explique» o seu sentido mas não se esforçam por contrastar as palavras da Bíblia com a sua própria vida, não as levam para casa, não as guardam no coração e na mente até elas falarem bem alto no íntimo"
Se se considerar necessário, de forma a tornar a análise proposta do texto de Ezequiel mais atractiva, o animador pode preparar essse mesmo texto substituindo as palavras fortes (as que serão posteriormente explicadas) por imagens, começando este momento por pedir aos elementos do grupo que descubram "as palavras certas", analisando se "o nosso pensamento é ou não construído com palavras", partindo da ideia que estas só se formam porque antes existe a imagem, o objecto, a ideia e é a necessidade de a transmitir que cria a palavra. Pode-se igualmente discutir sobre o "valor que uma palavra pode ou não ter em determinadas circunstâncias".
Precisamente porque as palavras, por vezes, são fonte de discórdia, a Expressão de Fé pode, simplesmente, ser uma adoração silenciosa, incluindo um gesto que cada jovem escolhe fazer.
Finalmente, tendo em conta o fio condutor proposto para este tema, sugerimos que no 2º encontro se desafiem os jovens a fazer uma experiência de Lectio Divina.



Continuando este nosso itinerário, como a  terceira catequese, subordinada ao tema JMJ e Baptismo está também já disponível, deixamos igualmente algumas ideias que, esperamos, sejam úteis.

Relativamente à Experiência Humana do 1º Encontro, para além da proposta efectuada, pode ser interessante explorar com os jovens as circunstâncias em que pensam ou se deparam com água na sua vida quotidiana. Tornando este momento mais dinâmico, o animador pode dar a cada jovem um copo de café, apresentando na mesma altura um recipiente (que poderá representar, por exemplo, um poço) que será enchido de água sempre que um dos jovens apresenta uma resposta à questão colocada (Em que situações nos deparamos com água ou ouvimos falar dela?). Sempre que um jovem dá uma contribuição pode encher o seu copo de água e derrama-la no poço. Se, eventualmente, o contributo dado remete para uma passagem bíblica ou para algum momento da caminhada de cristão, poderá encher dois copos e vertê-los para o poço.
Este poço, cheio com as ideias dos jovens pode ser depois recuperado no momento da Expressão de Fé, iniciando-o com um ritual de purificação - os jovens passam as mãos por essa água, por exemplo, recordando-os assim que "o Baptismo é a raiz de onde se desenvolve todo este processo de crescimento da vida cristã. Saídos da água, os baptizados estão em condições de iniciar o seguimento e aprendizagem de uma vida em Cristo".
Também para que a dinâmica proposta seja, eventualmente, melhor entendida pelos jovens, pode-se fazer corresponder as quatro questões apresentadas a quatro componentes do ciclo de vida de uma árvore: folhas verdes (Verde esperança, de folhas novas que devem responder à questão: "Eu já optei por Cristo ou tenho vindo "na onda" por outras razões?"), flores (promessa de algo que vai surgir, pelo que pode corresponder à questão "O que me diferencia dos que não seguem Cristo?"), frutos (resultado de uma caminhada feita mas que deve ser sempre cuidada tentando responder à questão "Que aspectos tenho que reforçar e apostar para esta minha opção por Cristo?) e folhas secas (que caem, fruto das opções e que são propícias à pergunta "O que há a podar na minha vida e que me afasta de Cristo?)

No que diz respeito ao 2º Encontro, que pretende uma reflexão sobre o Baptismo como sacramento da Fé, sugerimos que peçam aos jovens para levarem a sua vela do Baptismo para a dinâmica inicial da Experiência Humana. Será mais fácil, assim, despoletar a discussão sobre a fé, explorando em que momento se entra na família de Deus e em que momento é que cada um dos jovens se sentiu, realmente, parte dessa família, que circunstâncias deram o clique, que acontecimentos apontamos como fazendo parte desta caminhada que começa com o Baptismo, que importância dados a cada um desses momentos.
Essas mesmas velas podem ser utilizadas no momento da Expressão de Fé, bem como o poço utilizado no 1º encontro, realizando o ritual da imersão da luz na água. Através desse gesto, torna-se claro como o cristão entra com Cristo «no sepulcro» (simbolizado na água em que é mergulhado), para dela sair vitorioso com Ele, numa participação de vida nova, com a missão de anunciar a alegria da Ressurreição a toda a humanidade". No final, como símbolo de união, pode-se propor a oração do Pai Nosso, aquela que Jesus nos ensinou e que, afinal, é a primeira que aprendemos no itinerário catequético.





Como vos dissemos, este é um desafio que assumimos pois pensamos que todos devemos e podemos contribuir para que este itinerário seja o mais rico possível, respondendo às várias realidades dos nossos grupos de jovens.
Seria, por isso, muito bom, começarmos também a ouvir as vossas opiniões e a registar os vossos comentários e as vossas sugestões.
Estamos à vossa espera em formacao.sdpj.porto@gmail.com!

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