Foi beatificada em 25 de Setembro de 2010 ano e a história de vida desta jovem de Sassello, Itália, passou a ser conhecida em todo o mundo. São muitos os frutos!
Um dos casos mais conhecidos, graças a diversos jornais de inspiração cristã e não só, é o de Giulia Gabrielli: uma rapariga de 14 anos, com um tumor, que morreu no passado mês de Agosto. Na vivência da doença teve sempre diante de si a beata Chiara Luce Badano: “Ela morreu, porém soube viver esta experiência de modo luminoso, abandonando-se à vontade do Senhor. Quero aprender a segui-la, a fazer aquilo que ela conseguiu fazer”.
Chiara Badano nasceu a 29 de Outubro de 1971, em Sassello, cidadezinha graciosa no noroeste da Itália, primeira e única filha de Ruggero Badano, camionista, e Maria Teresa Caviglia, operária, casados há 11 anos. É fácil imaginar a enorme felicidade provocada por esse nascimento. "Mesmo com esta alegria imensa, compreendemos logo – conta a mãe – que ela não era somente nossa filha, mas que era, antes de tudo, filha de Deus". A mãe deixa o trabalho para cuidar da filha. Diálogo e afecto misturam-se com momentos em que se deve dizer "não" aos caprichos de Chiara que, querendo ou não, corre o risco de crescer mimada. "Tínhamos consciência desse risco! Por isso, desde os primeiros anos, queríamos deixar as coisas bem claras. Não perdíamos a oportunidade de ajudá-la a fazer as coisas diante de Deus", diz a mãe.
Maria Teresa conta um episódio:"Uma tarde ela chega em casa com uma linda maçã vermelha. Questionada, Chiara responde que apanhou a fruta no quintal da vizinha. Explico-lhe que ela deve pedir antes de tirar e que, por isso, tem de devolver a maçã, pedindo desculpas à vizinha. Mas ela fica acanhada e não queria ir. Insisto: é muito melhor dizer a verdade do que comer uma boa maçã. Então, Chiara procura aquela senhora e explica-lhe tudo. À noite, a nossa vizinha traz uma cesta de maçãs para Chiara, justificando: ‘Hoje ela aprendeu algo de muito importante’ ".
É conciliadora, embora saiba defender suas ideias e discutir com os pais. Mas esse "conflito" dura apenas alguns minutos. Uma recordação daquele período: a mãe pede-lhe que lave a louça."Não, não quero!"- responde ela. E vai para o quarto. Logo depois volta e diz: "Como é aquela história do Evangelho, dos dois operários que devem ir à vinha, e um diz que sim, mas não vai, e o outro diz que não, mas vai? Mamã, dê-me o avental". E lava a louça.
Factos como estes atestam a educação cristã sólida que recebe, graças também à comunidade paroquial, ao pároco que lhe dá aulas fascinantes de catecismo, e também às amizades que Chiara constrói. Tem um fraco pelas pessoas idosas, e procura ajudá-las.
Aos nove anos participa num encontro das Gen 3 (crianças e adolescentes dos Focolares) e conhece o ideal da unidade. Um ano depois, em 1981, os seus pais participam do Familyfest, um grande encontro para famílias promovido pelo Movimento. A sua mãe conta: "Voltando para casa, dizíamos que se tivéssemos que responder quando tínhamos casado, responderíamos: quando encontramos este Ideal". No seu diário, Chiara escreve alguns factos simples sobre o seu esforço de construir a unidade. Por exemplo:"Uma amiga está com sarampo e todos têm medo de visitá-la. Com o consentimento dos meus pais, eu vou fazer com ela os deveres de casa para que ela não se sinta sozinha".
Santo Agostinho repetia que "o amor nos torna belos". Chiara é, de fato, revestida da beleza evangélica, mesmo se naturalmente já é uma jovem bela. Chiara é uma menina cheia de energia e tem um carácter bem definido. Mas, nas suas fotos o que mais atrai é o seu olhar, nem retraído nem agressivo. Apenas límpido.
A adolescência transcorre na normalidade mais absoluta, até que sucede um facto imprevisível. Ao jogar ténis, Chiara sente uma forte dor no ombro. De início, nem ela nem os médicos dão grande importância. Mas as dores continuam e são necessários exames mais profundos. O diagnóstico: sarcoma osteogénico com metástase, um dos tipos mais graves e dolorosos de tumor. Depois de um longo silêncio, sem choro nem rebelião, Chiara acolhe a notícia com coragem: "Eu vou vencer. Sou jovem", diz. Seu pai comenta, depois: "Tínhamos a certeza de que Jesus estava no nosso meio. Ele dava-nos forças". Começa uma profunda transformação, uma rápida escalada à santidade.
Os tratamentos começam e o altruísmo de Chiara chama a atenção. Descuidando-se do repouso, sai da cama e, apesar da dor intensa provocada pela grande calosidade óssea nas costas, dedica-se a uma jovem toxicodependente deprimida, acompanhando-a por toda parte: "Depois eu encontro tempo para dormir", afirmava ela.
E um dos médicos, Antonio Delogu: "Chiara demonstra com seu sorriso, com seus grandes olhos luminosos, que a morte não existe; existe somente a vida". Nos meses seguintes, Chiara enfrenta duas dolorosas operações. A quimioterapia causa a queda dos cabelos, o que a faz sofrer bastante. A cada cacho de cabelo que perde, repete um simples, mas intenso: "Por ti, Jesus".
A um amigo, que partia para uma missão humanitária na África, ela doa todo o dinheiro que havia economizado, dizendo: "Para mim não serve, eu tenho tudo".
Aos poucos, Chiara perde os movimentos das pernas. Apesar das dores intensas, recusa a morfina para se manter consciente de seus actos e explica: "Não quero perder a lucidez, porque a única coisa que posso fazer é oferecer a dor a Jesus. Quero compartilhar com ele, ainda por um pouco, a sua cruz".
No dia 19 de Julho de 1989, Chiara enfrenta uma forte hemorragia e quase morre. Nesta ocasião diz: "Não derramem lágrimas por mim. Eu vou para Jesus. No meu funeral não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte".
Consciente da sua situação, não pede mais a saúde, mas a capacidade de fazer a vontade de Deus. Perante o seu estado de saúde, ela mesma prepara com a mãe o funeral, a "festa de núpcias", como costumava dizer. E explica como quer ser vestida, escolhe as músicas, as flores, os cantos e as leituras: "Enquanto me estiveres a preparar, mamã, deves repetir: agora Chiara Luce está a ver Jesus".
Domingo, 7 de Outubro de 1990, aconteceu o momento do encontro com o seu "Esposo". Ao seu lado estão o pai e a mãe. Do lado de fora da porta, os amigos. Clima de paz e quase de naturalidade. As suas últimas palavras são dirigidas à mãe: "Ciao. Esteja feliz porque eu estou feliz".
Duas mil pessoas participam no funeral. Fala-se de paraíso, de alegria, de escolha radical de Deus, segundo o exemplo de Chiara Luce. Na homilia, o bispo diz: "Eis o fruto da família cristã e de uma comunidade de cristãos”.
Os efeitos da sua experiência continuam após a sua morte, naqueles que dela tomam conhecimento, pois sentem-se impulsionados a viver com radicalidade o Evangelho, e a escolher Deus como tudo. É uma "santidade" contagiosa. No dia 25 de Setembro de 2010, foi beatificada em Roma.
N.M.
(Baseado num artigo de Michele Zanzucchi - Città Nuova)
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Livros:
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2. Chiara Luce. Uma grande aventura: entrar no jogo de Deus, de Maria Grazia Magrini (Ed. Salesianas) - clica aqui para encomendares directamente na Editora (delegação Porto)
DVDs:
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Sites:
1. www.chiaralucebadano.it - Site Oficial da Postulação pela Causa de Canonização de Chiara Luce Badano (em italiano)



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